A palavra sangrada de Civone Medeiros em livro por Michelle Ferret…
Tribuna do Norte | A palavra sangrada de Civone Medeiros em livro
Por Michelle Ferret
Com sua inquietude latente ela oferece o café amargo para o leitor distinguir o agridoce de suas ideias. E faz mais… Reúne em si as quatro estações, os loucos, os becos, a realidade e um infinito de delírios. Quase sempre em primeira pessoa, os poemas do livro “Escrituras Sangradas” se dividem em duas partes. “Escrituras Sangradas – Toscas Fatias de Escrevinhaduras”, de 1999, com 45 poemas e o Livro 2 – “Ave de Arribaçã ou a Propósito de Viena e Outros Ondes”. Ambos lançados na última quinta-feira para o mundo em poucas edições, apenas 100.

Livro de Civone Medeiros reúne poemas divididos em duas partes
Ler cada poema é viajar na insensatez absoluta de uma mulher revirada ao avesso. Ela que se auto define “uma velha de mais de trinta anos/E uma criança de milhões de eras”, consegue imprimir em versos, afora o próprio corpo, a essência da vida. São vísceras expostas de letras embriagadas e outros ondes compondo versos verdadeiros. Inspirada em Hilda Hilst, Frida Kalho e Bispo do Rosário, ela costura suas ideias nos mantos imaginários. E assim se recompõe, reinventando a própria literatura. Talvez sua vida de artista tenha dado todos os ondes desses escritos. Ela que faz intervenções urbanas e humanas ainda consegue escrever em muros seus desejos mais antigos. É assim que Civone se escreve e se despe, vestindo-se de mundo. Da impureza e pureza dele. Como reza o título de seu poema, “A felicidade não me inspira”. Talvez a transpire ou a faça correr léguas. Longe dos parâmetros e dos métodos sociais, ela se desfaz amarras e consegue escrever palavras tão densas quanto o tempo.
De mente e coração
Sem canto neste mundo
Me canto imunda
Sideral
Pólibo sem rumo
Pensante nessa terra
Mal-passada
Revelo-me
Desencanto
Desenovelo-me
Por pântanos e Edens e
raro me encontro
Século vinte passantes
Sinto-me sem era e sem surpresas com o devir…
Que venham passadas vidas outras
E m´atentem à incógnita filosofia
Amoral que de mim brota – e que nem tenho ainda!”
Entorta ventos
E
Brados marítimos
Cruza
Terras e ilhas
E
Te enxerga
Meu ninho
Natal
Serviço
ler+: http://www.escriturasangradas.blogspot.com
Recado da autora:
“Remix-me, Remake-me, Share-me, Copy-me, rip-me, broadcast-me, mix-me… Feedback-me…”.
Publicação/TN: 03 de Novembro de 2009 às 00:00




Michelle descreve muito bem as estações desta ave de arribaçã! salve