Do esmalte ao vernissage

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Nalva Melo e seu filhão Yuri

Nalva Melo e seu filhão Yuri

Matéria publicada no conceituado jornal TRIBUNA DO NORTE, no caderno Viver.

O texto é do jornalista Marcílio Amorim

“A relação entre Nalva Melo e a beleza começou aos 16 anos, como manicure. Entre uma unha e outra, dava uma ajudinha a cabeleireira do salão em que trabalhava. Um belo dia usou a irmã como cobaia e fez um corte a la anos 80, “um lado curtinho e o outro chanel”.

Uma cliente logo quis saber quem fez aquele corte. Queria um igual. A proprietária do salão apontou para uma cabeleireira experiente. Todos os funcionários a olharam com censura e ela acabou admitindo ser Nalva a autora do corte. “Eu quero ela!” disse a cliente sem pensar. Então Nalva começou. De lá para cá muita coisa mudou.

Hoje Nalva vai além das madeixas. O seu Nalva Melo Café Salão, montado no coração do bairro histórico da Ribeira está além da estética e da vaidade, lá tem cultura. “A história do salão com a cultura começou em 95, quando conheci Marcelus Bob. Ele precisava de tintas para pintar muros e paredes da rua Chile”, relembra Nalva.

A aproximação virou entrelaço e para comemorar o “casamento” da cultura com a beleza, o ano de 2009 vem sendo marcado por diversos eventos alusivos aos 15 anos de existência. Na noite de hoje celebra-se a primeira vez. Em novembro de 1998 foi aberta a I Mostra Coletiva de Artes Plásticas, com a participação de oito artistas. Era o primeiro evento realizado no até então “Nalva Cabelos & Beleza”. Jota Medeiros, Marcelus Bob, Guaraci Gabriel, Marcelo Fernandes, Zaia, Dickson Tavares, Wendel Gabriel e Pedro Pereira repetem o encontro com obras inéditas e uma performance ao vivo. Logo mais, a partir das 20h, os artistas abrem oficialmente a II Mostra Coletiva de Artes Plásticas, ocasião em que apresentarão a exposição permanente que terá a marca dos 15 anos do Café Salão.

O vernissage, marcado para 20h, é aberto a todas as pessoas que gostam de artes e desejam conferir uma obra inédita, concebida especialmente para o aniversário do espaço que representa um marco na Ribeira. Além da mostra permanente, os artistas também apresentam trabalhos individuais que compõem a II Mostra Coletiva propriamente dita, ou seja, o material que estará disponível para venda.

A adesão ao convite de Nalva Melo para o reencontro dos oito artistas foi imediata. “Todos aceitaram prontamente, o que me deixou lisonjeada e feliz. Acho que vai ser um momento lindo. A melhor parte será a performance ao vivo, com a assinatura de todos”, empolga-se. O escultor Guaraci Gabriel assina a concepção da mostra permanente, com um proposta de inspiração voltada para as deusas da beleza da mitologia greco-romana.

“Nalva é uma batalhadora, nós artistas devemos muito à sua sensibilidade. Ela merece todo o nosso empenho para deixar este espaço ainda mais valorizado”, declarou. Ele e seu filho Wendel Gabriel, que na época da primeira exposição era um menino de oito anos, são escultores do mundo e expõem em bienais Brasil afora. A mostra de logo mais também contará com a participação especial do artista plástico Pedro Pereira. Há alguns anos, o artista sofreu um AVC e ficou com algumas seqüelas físicas, mas sua produção continua irretocável.

“Estou achando fantástica a ideia de fazer uma obra coletiva de uma maneira em que cada artista trabalha despreocupado, com seu ego vazando e a criatividade fluindo”, ele se refere ao fato de que a obra se caracteriza por reunir todos em torno de um mesmo tema”.