Mulher que faz a cabeça
Por Sheyla Azevedo. Publicado na edição 2008 da revista POSE.
Ninguém sai ileso do salão de Nalva Melo, 38. Que na verdade é meio salão e meio café. Só para início de conversa, porque, na verdade, o Nalva Melo Café Salão é uma espécie de vitrine da tão sonhada revitalização da Ribeira. É também um reduto, um espaço aberto para várias manifestações artísticas. Por lá, já passaram shows de rock, peças de teatro, recitais, MPB, mercado alternativo, exposição de Artes Plásticas e ainda tem muito mais para acontecer. E tudo isso pode se resumir a um nome: a própria Nalva. Um misto de mãe, mulher descolada e dona do próprio nariz, profissional inventiva, pessoa inquieta, aquariana desprendida, empreendedora (não se considera empresária) e o que mais vier e der na telha. E a fonte parece longe de se esgotar. Se Nalva Melo que é tanta coisa ao mesmo tempo, pudesse ser resumida, certamente a expressão poderia ser “um turbilhão de idéias e muita vontade de fazer acontecer”.
Ufa? Não. Conhecer o trabalho de Nalva, sentar pra bater papo, compartilhar idéias, ouvir e falar são coisas que não combinam com cansaço. Muito pelo contrário, há sempre um cantinho onde se pode aconchegar e ouvir cada vez mais. Nalva, ou Nalvinha como é mais chamada pelos amigos próximos, pensou um dia em ser professora. Sim, ela fez Magistério no Kennedy. Mas quis o destino – ou quem sabe quis ela própria – que, em 1988 ela fosse trabalhar num salão de beleza como manicure. Já arriscava cortar cabelo da família e tinha ali naquele lugar uma boa oportunidade de começar a fazer a cabeça das pessoas. Como em quase tudo na vida, autodidata, em certo momento ela fez uma verdadeira “revolução” no cabelo da irmã. Uma cliente do salão gostou e pediu pra fazer igual. Pronto, nascia ali a cabeleireira. Mas não era o bastante. Dois anos depois, após trabalhar numa campanha eleitoral, Nalva foi trabalhar na TV Tropical acumulando as funções de maquiadora e operadora de Telepronter. Mais uma vez ela arriscava: “Eu sabia onde botava o batom e o rímel (risos). O resto fui aprendendo”. Pouco tempo depois já acumulava três funções. “Minha formação se deu numa cadeira de cabeleireira, muita troca de informações, leituras e pesquisas. Acho que acabei me formando um pouco em Sociologia Urbana”.
Espaço das Artes
De alugado, o prédio passou a ser próprio há alguns anos. Conquista que faz os olhos brilhar. De dia está mais voltado para o salão, à noite, vira um reduto para as artes. Ela lembra que quando o músico e compositor, Marcelo Camelo, conheceu o lugar, ficou encantado. E ainda saiu com essa: “Poxa, como é que no Rio não tem um lugar como esse?”. Melhor comentário impossível, para a dona que considera o local mais sua casa que a própria casa onde mora em Pirangi, no litoral sul da Grande Natal.
Se parece que já basta, vai mais alguns detalhes sobre essa moça multicor e multifacetada: Nalvinha também é mãe de Yuri e faz questão de frisar que ele é sua melhor produção e criação, já que o sente como um “companheiro” que nasceu junto com seus sonhos. Falando em sonhos, quer adotar um outro filho dentro em breve. Adora uma cervejinha. Faz aniversário em 14 de fevereiro. Acha meio sem graça 39 anos e já está esperando os 40 com a ansiedade que a maturidade ainda lhe reserva. Escreve. Mas ainda é segredo que não conta pra ninguém. Mas, vai uma palhinha do seu pontencial, no texto-poema que ela mesma criou para a divulgação do seu portifólio: “A maquiagem tem brilho seco / em alguns tops estofos / nalgumas beldades benemerentes / tem cheiro e cor noutras crias creia / cria almas personas personagens personalizam personalidades / num mundo inexaurível / onde encerro sonhos”.
A T U A L I Z A D O P O R E L I A D E P I M E N T E L




Caramba! Prazer triplo! Quando fiz a matéria, quando publicamos na Pose e agora, aqui no site! Nalvinha, sempre única; Lili(ca), mais que atenta, sempre gentil. Eu que tenho de agradecer o privilégio. Vocês estão autografadas no meu coração. S.
Este texto é um gozo! – Tal o da Sheila, tal o da Nalva.
Uma magicista de palavras, uma encantadora de pincéis (Como se pronuncia a Bela Dona Gladis!) e um legado de 15 anos sem maquiagens farsantes, mas belo por natureza!
Super Sucesso, foi muito bom te conhecer!
Um dia eu quero sentar na tua cadeira, vestida de noiva feliz, e que toda a minha felicidade se reflita nas cores de tua maquiagem…