O Barbeiro, miniconto de José Correia

Foto: Humberto Lopes
Frequentador assíduo do Café Salão, o contista José Correia é um verdadeiro fã do espaço. Através dele, o projeto café-teatro tomou corpo no salão. Justo, justíssimo, portanto, publicarmos um conto escrito ou rascunhado ou desenhado nas cadeiras de Nalva Café.
O Barbeiro
José Correia Torres Neto
“Acomodou-se na cadeira reclinando o encosto até o máximo. Um avental branco e bordado nas laterais foi colocado para que os pêlos cortados não se espalhassem pelo chão. A pequena máquina aparou os locais mais densos deixando apenas uma rara pelugem a ser retirada. O pincel úmido de cabo amarelo ajudou a espalhar a espuma branca por toda a superfície. A navalha deslizou, arrastando aquela massa cor de neve, mostrando indícios de uma pele morena e lisa. A lâmina da navalha, a cada passagem, era limpa numa toalha felpuda que descansava no braço do barbeirola aprendiz. Não existiam detalhes no corte dos pêlos e assim, ficava muito mais fácil: menos possibilidades de erros.
O olhar sério do aprendiz acompanhava cada deslize da lâmina. O cabo da navalha acomodava-se perfeitamente em sua mão e, vez em quando, enxugava o suor que escorria na sua testa. A espuma branca era aplicada com mais intensidades nos lugares de difícil acesso à navalha e aos poucos a pele tornava-se imberbe, lisa, delicada e os segredos das feições, que há muito tempo estavam escondidas, eram colocadas à mostra. Por fim, numa delicadeza de artesão, limpou alguns resquícios de espuma e com uma pequena almofadinha de lã espalhou talco de menta sobre a superfície tornando-a mais suave, mais macia, perfumada. Ela sorriu, vestiu a pequena calcinha colorida e agradeceu.”




Lindo! Riqueza de detalhes, expectativa peculiar, enfim, onde fica mesmo este barbeiro?! – Eu também queeeeero! rs…