(Re)cortes de Nalva Melo
(Matéria publicada no Portal No Minuto, em http://www.nominuto.com/vida/cultura/re-cortes-de-nalva-melo/54243/).
Espaço cultural
Nalva não gosta mais da farra como antigamente. Olhando fotos antigas, sorri: “estou ficando comportada. Olha como eu era”. Com as calças de cintura alta, os tops que deixavam a barriga a mostra e a cabeleira desgrenhada, eram comuns as fotografias em que aparecia se divertindo “com a turma”.Certa vez, os amigos estavam com vontade de brincar no Carnatal, mas não tinham dinheiro. Criaram então um novo bloco: o “Vai quem quer como quiser”. A amiga Bernardete Lago tirou as fantasias de uma mala que guardava em casa e todos saíram à caráter, com as roupas coloridas de quem sabe que nem todo carnaval precisa ter fim.
E foi das festas de noites eternas que nasceu o espaço cultural. “A gente ficava aqui bebendo, esperando a hora de descer para o largo da Rua Chile. Sempre íamos comprar uma cerveja. Com o tempo, o pessoal começou a querer estender a estadia, chamar os amigos… Daí surgiu o café. Daí para as apresentações culturais foi um pulo”. Tudo começou com uma exposição coletiva que reuniu artistas com oito participantes, entre eles, Guaraci Gabriel, Pedro Pereira, Marcelo Fernandes, Marcelus Bob, Zaia, Dickson Medeiros e o filho de Guaraci, Wendel Gabriel. Mais tarde, em 2009, eles realizariam a mesma exposição em comemoração aos 15 anos do espaço.Depois veio o projeto “Segunda Solo”, que trouxe a música para o local. Apresentações de teatro também se tornaram frequentes, principalmente pelo grande fluxo de artistas que passeia pela Ribeira. O bairro abriga o Teatro Alberto Maranhão e a Casa da Ribeira, duas das principais casas de espetáculo da cidade. Com a amizade com os integrantes do Cineclube Natal, as projeções cinematográficas também não tardaram.
De tanto que gosta de arte, chegou a levar o filho para um show de Mamonas Assassinas. Também foi maquiadora de experiências de Buca Dantas no Cinema Processo com “Fabião das Queimadas” e “Viva o Cinema Brasileiro”. O que a atraiu no projeto foi a liberdade lírica com a qual podia conduzir seu jogo de pincéis de maquiagem.”Tudo era produzido na hora, principalmente em ‘Viva o Cinema Brasileiro’. O ‘Fabião das Queimadas’ ainda tinha um roteiro, mas ainda asssim era maravilhoso. Pra mim foi um orgulho participar de tudo isso”, comenta.A criatividade foi também seu passaporte rumo à Áustria, em 2001. Lá, passou um mês criando penteados para uma comemoração do “Brasil na Áustria”. Uma das produções mais inusitadas foi uma peruca totalmente confeccionada com penas.Seu mais recente projeto são as maquiagens temáticas sobre os períodos artísticos. O resultado final será exibido na revista “Salto Agulha”, em parceria com a jornalista Gladis Vivane, que ainda está para ser lançada.Nos planos, Nalva vai com calma, embora continue a planejar o futuro. Por hora, trocou as grandes farras pela própria casa. Lá, costuma servir uma lasanha ao molho branco [sua especialidade] e uma cerveja sempre gelada aos amigos que por ventura vão visitá-la em Pirangi.Seja como for, com seu jeito calmo, sua intuição latente e sua sensibilidade artística que transparece, Nalva faz a cabeça de muita gente. Em tantos sentidos quantos couberem nesta frase. Sim, sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão.






